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Notícias / Paraná Operação da Polícia Civil mira filhos de suspeito de chacina em Icaraíma

terça-feira, 10 março de 2026.

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriu mandados de busca e apreensão contra os irmãos Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Buscariollo, filhos de Antônio Buscariollo, conhecido como “Tonhão”, que permanece foragido da Justiça. Segundo reportagem do site OBemdito, a operação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo.

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O caso ganhou destaque na noite de segunda-feira (9), quando o programa Cidade Alerta Maringá, da RIC Record, exibiu a primeira reportagem de uma série especial sobre o crime. De acordo com a Polícia Civil, o crime teria origem em um conflito financeiro envolvendo a venda de um sítio de aproximadamente cinco alqueires, avaliado em cerca de R$ 750 mil, localizado no distrito de Vila Rica do Ivaí.

Segundo as investigações, Alencar Gonçalves de Souza Giron adquiriu a propriedade de Antônio Buscariollo, pagando R$ 255 mil à vista, enquanto o restante seria quitado por meio de financiamento bancário. O financiamento, no entanto, acabou sendo negado, o que levou ao cancelamento do negócio.

Pelo acordo firmado entre as partes, o valor pago deveria ser devolvido em dez parcelas de R$ 25 mil, por meio de notas promissórias emitidas em nome de Carlos Eduardo Cândido Buscariollo, outro filho de Tonhão, residente em São Paulo. Diante do atraso nos pagamentos, Alencar decidiu cobrar a dívida.

Para realizar a cobrança, ele contratou Diego Henrique Affonso, que viajou até a região acompanhado de Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira, ambos de São José do Rio Preto (SP).

O grupo chegou a Icaraíma em 4 de agosto e fez o primeiro contato com a família Buscariollo. No dia seguinte, retornou à zona rural para uma nova tentativa de negociação. Antes disso, os quatro homens foram filmados tomando café em uma panificadora da cidade, imagens que se tornaram um dos últimos registros das vítimas com vida.

Laudos periciais divulgados em 10 de dezembro de 2025 apontam que os quatro homens foram executados por volta das 12h30 do dia 5 de agosto, logo após chegarem à propriedade rural. Os corpos foram localizados apenas na madrugada de 19 de setembro, em uma área de mata fechada no município.

Movimentação financeira levanta suspeitas

Durante as investigações, a Polícia Civil também passou a monitorar movimentações financeiras ligadas aos investigados. Segundo reportagem exibida pela RIC Record, Carlos Eduardo Buscariollo teria sacado R$ 50 mil em dinheiro vivo em uma agência bancária.

A polícia apurou ainda que R$ 100 mil foram depositados na conta dele no dia 11 de fevereiro, supostamente provenientes da negociação de um imóvel. No entanto, até o momento não há comprovação da origem desse dinheiro.

No momento do saque, os investigadores apreenderam os R$ 50 mil, enquanto outros R$ 40 mil já haviam sido transferidos para outra conta. A polícia agora trabalha para rastrear o destino desses valores, que podem ajudar a identificar uma possível rede de apoio aos foragidos.

Entre as suspeitas investigadas está a participação de um ex-servidor municipal de Icaraíma, que teria realizado a transferência. Procurado pela reportagem, ele negou ter feito a operação, apesar de existir um comprovante bancário com seu CPF.

As autoridades também investigam se o homem teria condições financeiras para movimentar tal quantia, já que, segundo apuração, sua renda mensal seria de aproximadamente R$ 2,5 mil.

Investigação busca rede de apoio aos foragidos

A polícia suspeita que os irmãos Carlos Henrique e Carlos Eduardo estariam financiando a fuga de Antônio Buscariollo e de Paulo Ricardo Buscariollo, apontados como principais suspeitos das quatro execuções.

Conhecido pelo apelido de “Mamute”, Carlos Henrique possui histórico criminal, com passagens por tráfico de drogas e investigações relacionadas a homicídios na região. Ele estaria residindo em Santa Bárbara d’Oeste (SP), onde parte da operação foi realizada.

A quebra de sigilos bancários e financeiros é uma das estratégias utilizadas pelos investigadores para rastrear o fluxo de dinheiro e entender como os suspeitos conseguem permanecer foragidos há cerca de sete meses.

Recentemente, surgiram informações de que Tonhão e o filho Paulo Ricardo teriam sido vistos em um pesque-pague no interior de São Paulo. O delegado Thiago Andrade Inácio, responsável pelo caso, confirmou que a polícia tomou conhecimento da informação, mas explicou que, sem uma denúncia formal e imediata, não foi possível confirmar o avistamento.

O delegado também confirmou que mandados judiciais foram cumpridos no dia 26 de fevereiro no Estado de São Paulo, mas afirmou que novos detalhes sobre a operação deverão ser divulgados nos próximos dias.