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Notícias / Goioerê Condenado a 44 anos de prisão, Luiz Carlos teve crimes revelados pela Tribuna em Goioerê após família apresentar conversas com criança de 11 anos

domingo, 18 outubro de 2026.

A prisão do goioerense Luiz Carlos de Souza, ocorrida na noite de sábado, 17, em Goioerê, trouxe um sentimento de justiça para três famílias que, em 2020, tiveram suas vidas marcadas por um caso de abuso sexual que chocou a cidade. Condenado a 44 anos de prisão por crimes sexuais contra três menores, o ex-professor de karatê estava foragido havia mais de seis anos. No entanto, mesmo com a prisão, ficam as marcas e os traumas sofridos pelas vítimas e seus familiares.

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A Tribuna acompanhou de perto a história de uma dessas famílias, que a epoca (setembro de 2020) procurou a redação  pedindo ajuda para que a denúncia viesse a público. Na época, os pais de um menino de apenas 11 anos temiam que o caso fosse abafado e acabasse sem uma resposta da Justiça, principalmente porque o denunciado era uma pessoa conhecida, influente e respeitada em Goioerê.

A família também desconfiava de que outras crianças pudessem ter passado pela mesma situação. Para os pais, tornar o caso público poderia encorajar outras famílias a procurar as autoridades e relatar possíveis abusos.

O medo de não serem ouvidos era grande. Luiz Carlos era empresário, proprietário de uma academia de karatê, desenvolvia trabalhos sociais com crianças e adolescentes e já havia ocupado o cargo de secretário municipal. Sua atuação na comunidade tornava a denúncia ainda mais delicada.

O menino frequentava a academia desde os seis anos de idade. Segundo a mãe, ele começou a demonstrar resistência em participar das aulas, comportamento que, inicialmente, ela interpretou como falta de vontade de treinar. Naquele momento, não imaginava o que poderia estar acontecendo.

Foi depois de uma conversa com a irmã que o menino conseguiu contar o que estava vivendo. A família buscou ajuda psicológica e decidiu denunciar o caso.

Na época, em entrevista à Tribuna, a mãe fez um desabafo que marcou a primeira reportagem: “Eu tinha medo do meu filho sair sozinho na rua por achar perigoso. Mas não sabia que o perigo estava lá dentro da academia onde ele ia toda semana”.

Quando os pais procuraram a redação, apresentaram uma denúncia extremamente grave, envolvendo uma criança e uma pessoa bastante conhecida na cidade. A Tribuna ouviu o relato da família, mas deixou claro que, diante da seriedade das acusações, seria necessário ter acesso a elementos que sustentassem a denúncia antes de tornar o caso público.

Foi então que os pais apresentaram conversas mantidas pelo celular entre o menino e Luiz Carlos. As mensagens continham frases e imagens incompatíveis com uma relação entre professor e aluno e reforçavam a gravidade dos fatos relatados pela família.

Somente depois de analisar esse material, a Tribuna decidiu publicar a reportagem. A notícia foi divulgada no dia 10 de setembro de 2020. Até então, o assunto circulava em comentários e especulações na cidade, mas ainda havia muita desconfiança em relação ao que realmente estava acontecendo.

A Tribuna foi o primeiro veículo de comunicação de Goioerê a tornar pública a denúncia, que posteriormente ganhou grande repercussão. E o que os pais do primeiro menino temiam acabou se confirmando: outras duas famílias também procuraram as autoridades para denunciar situações semelhantes.

Na época, o advogado de Luiz Carlos procurou a Tribuna para contestar as denúncias. A defesa alegava que o empresário não havia praticado os crimes, que não existiam provas contra ele e que o computador apreendido durante as investigações não continha material que comprovasse as acusações.

O caso, no entanto, avançou na Justiça. Cerca de dez dias depois da primeira reportagem publicada pela Tribuna, veio a público a informação de que havia sido expedido um mandado de prisão preventiva contra Luiz Carlos.

A ordem judicial não foi cumprida naquele momento porque ele não foi localizado. A situação reforçou os comentários que já circulavam na cidade de que o então empresário teria deixado Goioerê, possivelmente buscando refúgio em outro país. Essa suspeita, porém, não havia sido confirmada pelas autoridades.

Em março de 2021, Luiz Carlos passou a integrar a lista de procurados da Interpol, com sua fotografia divulgada para auxiliar nas buscas. Durante o andamento do processo, ele foi condenado pela Justiça a 44 anos de prisão.

Prisão aconteceu mais de seis anos depois

Depois de mais de seis anos foragido, Luiz Carlos foi localizado por volta das 19 horas de sábado, 17 de outubro, na residência da família, nas proximidades do Clube de Campo, em Goioerê.

Segundo a polícia, uma denúncia anônima levou os agentes até o endereço. Ao entrarem na residência, os policiais encontraram Luiz Carlos na cozinha da casa. Após ser detido, ele foi encaminhado à Santa Casa de Goioerê para a realização do exame de corpo de delito e, posteriormente, recolhido sob custódia.

A prisão encerra um longo período de buscas por um homem que chegou a figurar na lista de procurados da Interpol. Ao mesmo tempo, traz de volta a história das famílias que, em 2020, decidiram romper o silêncio e denunciar os abusos.

Para a Tribuna, o caso também relembra aquele primeiro contato com os pais de uma das vítimas, que chegaram à redação assustados, com medo de não serem acreditados e preocupados com a possibilidade de outras crianças estarem passando pela mesma situação.

Seis anos depois, a prisão de Luiz Carlos representa um novo capítulo dessa história. Para as famílias, as marcas e os traumas deixados pelo que aconteceu não desaparecem com a prisão, mas fica o sentimento de que, depois de tantos anos de espera, a justiça finalmente foi feita.