Publicidade

Colunas

A Reforma do ensino médio e a sanha conservadora

terça-feira, 4 outubro de 2016.

          É com preocupação que tenho acompanhado o noticiário acerca da ‘’flexibilização’’ do currículo escolar anunciado pelo Ministro da Educação, Mendonça Filho, definido por ele como um”pacote” de “reformas” do Ensino Médio. Vale lembrar que o ministro recebeu Alexandre Frota em seu gabinete quando o ator  apresentou suas propostas para a educação. Lembra?

          A senhor ministro, aliás, não tem qualquer formação na área de educação. Político de carreira, formado em administração de empresas, Mendonça afirma que “O formato do ensino médio é do século passado”, em entrevista ao jornal Gazeta online (ver aqui

http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/09/noticias/cidades/3976549-o-formato-do-ensino-medio-e-do-seculo-passado–diz-ministro-da-educacao.html).

           Ironicamente, dias antes anuncia retorno da disciplina de Educação Moral e Cívica (ver aqui http://www.correiodobrasil.com.br/ministro-anuncia-reforma-do-ensino-medio-e-fim-de-varias-disciplinas/)

          A proposta, portanto, parece objetivar uma retomada ao modelo de currículo adotado durante a ditadura militar, quando a disciplina era pensada para sustentar valores do regime anti-democrático e violento, escamoteado no discurso do civismo e do ‘’amor à pátria’’ de um governo cujo lema era “Brasil, ame-o ou deixe-o”. O mesmo ainda acabou com disciplinas como História, Sociologia e Filosofia, que agora serão “diluídas” e passarão a integrar a área de conhecimento “Ciências Humanas”, sendo optativas.

          O argumento central é a reforma curricular, na qual português e matemática serão as únicas disciplinas obrigatórias. Embora muito importantes à formação discente, o exclusivismo das mesmas nega aos estudantes o direito de uma formação integral do cidadão-aluno, postulado pela constituição de 1988 e assegurada pela LDB 9394/ 96, fazendo da medida uma agressão frontal a esses pétreos  regimentos, o que  demonstra que  os direitos constitucionais são ‘’elegíveis’’ pelo governo da vez e não necessariamente  genuínos e invioláveis, como deveriam.

          A proposta de reforma curricular do Ensino Médio não é nova, e ganhou força a partir do projeto ‘’Escola sem partido’’, que prevê que o professor em sala não tenha autonomia para discutir política, ou assuntos como sexualidade, gênero, diversidade religiosa e temas afins. O documento estabelece um binarismo nas relações docentes-discentes, em que haveria um professor-doutrinador ante o alunado que, tomado como desprovido de raciocínio próprio, estaria vulnerável a absorver passiva e compulsoriamente seus posicionamentos.

          Esse projeto, ele sim doutrinador, de um conservadorismo canhestro e temerário foi, assim como a proposta aqui em questão, duramente criticado, e agora encontra plena ressonância na medida provisória, que acaba justamente com as disciplinas cujos conteúdos programáticos permitem e ensejam debates sobre tais temas. Será coincidência?

          Outro ponto crucial do texto é a abertura da docência a profissionais não licenciados na disciplina lecionada, que podem ser substituídos por profissionais com “notório saber’’. Ora, um profissional graduado em administração, contabilidade ou engenharia, por maior que seja seu conhecimento em matemática, teve uma formação voltada à instrumentalização para seu ofício, na qual não cabem as disciplinas de didática, metodologia de ensino e estágio docente, que instrumentalizam o  futuro professor. Considerando a MP, no entanto, não seria um despautério incluí-las nas grades dessas graduações, já que esses profissionais poderão  lecionar matemática. Certo?

          O “pacote” também instituía proibição do acesso ao ensino médio noturno a menores de 18 anos, o que penalizará, sobretudo, alunos adolescentes que, devido à pobreza, trabalham desde cedo para ajudar no sustento familiar. Vigorando a MP, a carga horária aumenta de 4h para 7h por dia o que, por certo, causará uma evasão escolar de proporções devastadoras.

          Não à toa as novas diretrizes que aniquilam o ensino médio serão instituídas através de uma medida provisória, ou seja, as mudanças passarão a valer após sua publicação no Diário Oficial, mesmo sem a aprovação do Congresso. A quem possa interessar maiores detalhes, indico a página da ANPED – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, que tem publicado diariamente artigos e entrevistas com especialistas sobre o assunto. (Ver aqui http://www.anped.org.br/), pois o tema é serio e exige nossa atenção e mobilização.

 

Comentarios

Publicidade
domsegterquaquisexsáb
     12
24252627282930
31      
28      
       
      1
       
     12
2425262728  
       
      1
3031     
     12
24252627282930
       
  12345
2728293031  
       
2930     
       
    123
25262728293031
       
    123
18192021222324
25262728   
       
 123456
78910111213
21222324252627
28293031   
       
     12
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31      
   1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  
       
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031    
       
     12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
       
  12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  
       
      1
9101112131415
23242526272829
3031     
    123
252627282930 
       
 123456
14151617181920
21222324252627
28293031   
       
      1
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30      
   1234
567891011
       
   1234
12131415161718
19202122232425
262728    
       
293031    
       
    123
11121314151617
       
  12345
13141516171819
27282930   
       
      1
23242526272829
3031     
    123
18192021222324
252627282930 
       
28293031   
       
   1234
567891011
       
     12
3456789
17181920212223