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Notícias / Paraná Esquema bilionário com emendas parlamentares expõe possível rede de corrupção envolvendo 89 prefeitos no Paraná

sexta-feira, 2 janeiro de 2026.

Suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos públicos levaram a Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) a deflagrarem uma ampla investigação sobre a destinação de verbas federais e estaduais repassadas a municípios do Paraná.

O levantamento, considerado um dos mais abrangentes já realizados no Estado, já resultou na denúncia de pelo menos 89 prefeitos e segue avançando sobre deputados, vereadores, promotores de eventos e artistas.

As apurações, que correm sob sigilo na Polícia Federal, na Procuradoria-Geral da República e no Tribunal de Contas, indicam que parte significativa dos recursos oriundos de emendas parlamentares — cujo volume supera, inclusive, o orçamento destinado a investimentos diretos dos governos federal e estadual — estaria sendo desviada por meio de um esquema articulado entre parlamentares e gestores municipais.

De acordo com as investigações, o modelo adotado seria semelhante ao da chamada “rachadinha”. Deputados apresentariam emendas parlamentares e, posteriormente, negociariam com prefeitos o retorno de uma porcentagem dos valores liberados, que, conforme já apurado, pode chegar a até 25% do montante repassado.

As suspeitas apontam para um dos maiores esquemas de corrupção já identificados no Paraná, impulsionado pelo fortalecimento do poder financeiro dos parlamentares, que atualmente dispõem de recursos milionários para destinação conforme suas indicações.

A fragilidade nos mecanismos de fiscalização é apontada como um dos principais fatores que favoreceram o avanço das irregularidades.

As investigações tiveram início a partir da análise de repasses feitos por deputados das regiões Sudoeste e Oeste do Estado a prefeituras paranaenses. Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a destinação de emendas milionárias para a realização de shows artísticos — prática permitida pela legislação atual, mas que, segundo os órgãos de controle, pode ter sido utilizada como instrumento para desvio de recursos públicos.