Publicidade
Publicidade

Notícias / Goioerê “Eu não voltei igual. Eu voltei transformada”: Vanessa Marcon conta como o Caminho da Fé mudou sua vida

quinta-feira, 30 julho de 2026.

Entre subidas quase impossíveis, lágrimas e momentos de profunda espiritualidade, a goioerense Vanessa Marcon Peloi percorreu o Caminho da Fé de bicicleta e diz ter encontrado muito mais do que o destino: encontrou uma nova versão de si mesma

Foram 340 quilômetros de pedaladas. Mas a maior distância percorrida por Vanessa Marcon Peloin foi entre a mulher que partiu e a que retornou para casa. Para a goioerense, os cerca de 340 quilômetros percorridos de bicicleta entre Águas da Prata (SP) e o Santuário Nacional de Aparecida (SP), pelo tradicional Caminho da Fé, representaram muito mais do que um desafio físico. A peregrinação foi uma profunda experiência de superação, espiritualidade e transformação pessoal. Ao recordar a jornada, Vanessa resume tudo o que viveu em uma frase que traduz o significado da peregrinação: “Eu não voltei igual. Eu voltei transformada.”

Siga a Tribuna no WhatsApp

Ao recordar os dias de peregrinação, Vanessa não esconde a emoção. O primeiro sentimento ao concluir o percurso foi o de missão cumprida, mas ela afirma que o maior presente recebido foi espiritual. “Foi Deus falando comigo o caminho todo. Toda pessoa devota de Nossa Senhora, todo católico, precisava viver isso pelo menos uma vez na vida. É uma experiência que não dá para explicar.”

Durante o trajeto, cada quilômetro exigiu superação. O percurso é conhecido por suas longas subidas, estradas de terra e trechos de grande dificuldade. Mesmo preparada, Vanessa conta que nunca havia enfrentado um desafio tão intenso. “Todos os dias eu chegava pensando: ‘Nossa, hoje foi muito difícil’. Só que, no dia seguinte, era ainda mais difícil.”

O momento mais duro aconteceu na subida da Luminosa, seguida pela Porteira do Céu, um dos trechos mais temidos do Caminho da Fé. Foram duas horas para vencer apenas oito quilômetros. As descidas eram tão íngremes que o sistema de freios da bicicleta chegou ao limite. “Cheirava a pastilha de freio queimada. Era aquele cheiro de embreagem de caminhão. Foi muito pesado.”

Mas foi justamente nesse cenário de extremo esforço que Vanessa viveu um dos momentos mais marcantes da peregrinação. Enquanto enfrentava a subida da Luminosa, ela sentiu algo que guarda até hoje no coração. “Eu escutava a voz do meu pai. Sentia o cheiro dele. Naquele momento pensei em desistir… Fico até emocionada de falar.” enfrentava a subida da Luminosa, ela sentiu algo que guarda até hoje no coração. “Eu escutava a voz do meu pai. Sentia o cheiro dele.”

Ela acredita que foi a fé que lhe deu forças para continuar. Também pensava nas pessoas que acompanhavam sua jornada e torciam pela realização daquele sonho. Quando a Basílica de Aparecida apareceu no horizonte, a poucos quilômetros da chegada, o cansaço deu lugar à emoção. “Quando faltavam uns 15 quilômetros e eu avistei a ponta da Basílica, o coração vai aquecendo. Você sente uma gratidão enorme por tudo o que conseguiu conquistar. Muitas pessoas sonham em fazer esse caminho, mas não têm saúde para conseguir.”

Ao cruzar o destino final da peregrinação, o corpo já dava sinais de exaustão. “Eu não sentia mais as mãos, nem os pés. Era um estado de puro êxtase.”

Hoje, dias depois da viagem, Vanessa afirma que a maior conquista não foi completar os cerca de 340 quilômetros, mas voltar para casa diferente de quando partiu. A experiência despertou nela um novo desejo: repetir o Caminho da Fé, desta vez a pé, e incentivar outras pessoas a viverem essa jornada.

“Agora eu quero voltar e fazer a pé. Quero que mais pessoas tenham essa experiência. Meu marido até brinca perguntando qual será a próxima aventura que vou inventar. Mas é maravilhoso estar ali. Tenho certeza de que não voltei igual à pessoa que saiu daqui.”

Entre o suor, as dores, as montanhas e as orações, Vanessa descobriu que algumas estradas não conduzem apenas a um destino. Elas levam ao reencontro com a própria fé, à superação dos próprios limites e à certeza de que existem experiências capazes de transformar uma vida inteira.