Goioerê está entre os 28 municípios que receberam ações de uma grande operação deflagrada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) e pela Receita Federal nesta quarta-feira, 4 de novembro. A ofensiva investiga um esquema de sonegação de ICMS, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro envolvendo empresas do setor de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura, utilizados na produção de biodiesel e em curtumes.
As ações fazem parte da segunda fase da Operação Enxágue e da Operação Catéter, realizadas simultaneamente em cidades do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
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Ao todo, foram cumpridos 64 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares contra nove investigados. A Justiça também determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens e valores que somam aproximadamente R$ 271,4 milhões.
Goioerê aparece na relação oficial dos municípios onde foram cumpridas medidas judiciais. No entanto, até o momento, não foram divulgados detalhes sobre os alvos da operação na cidade, nem a quantidade de mandados cumpridos no município.
Entenda como funcionava o esquema
Segundo o Ministério Público, os grupos investigados utilizavam empresas de fachada, conhecidas como “noteiras”, registradas em nome de terceiros, os chamados “laranjas”. Essas empresas emitiam notas fiscais de operações que não aconteciam da forma declarada, permitindo a geração de créditos irregulares de ICMS e a movimentação de dinheiro com aparência de legalidade.
Na prática, fornecedores de sebo e gordura animal comercializavam os produtos sem o devido recolhimento de impostos. As empresas de fachada eram utilizadas para emitir documentos fiscais e assumir dívidas tributárias, embora muitas não tivessem patrimônio ou estrutura física. As investigações também apontaram o uso de fundos de investimento e empresas financeiras para movimentar recursos e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários.
Justiça determina bloqueio milionário
Na Operação Enxágue, a Justiça autorizou o sequestro e a indisponibilidade de bens até o limite de R$ 143,3 milhões. Já na Operação Catéter, o valor chega a R$ 128 milhões. As medidas atingem contas bancárias, imóveis, veículos, participações em empresas e investimentos financeiros. Somente na Operação Catéter, foram determinadas medidas de sequestro envolvendo mais de 30 imóveis, 79 veículos e uma embarcação.
De acordo com as investigações, o esquema envolvia diferentes grupos responsáveis pela criação de empresas de fachada, emissão de notas fiscais, movimentação financeira e ocultação de patrimônio. A Receita Federal também identificou pelo menos 35 empresas de fachada ligadas às irregularidades investigadas.
Operação mobilizou forças de segurança de quatro estados
A ação foi coordenada pelo Gaeco e pelo Núcleo Fiscal do Ministério Público do Paraná, com participação da Receita Federal e apoio de equipes policiais e do Gaeco de outros estados.
Além de Goioerê, as medidas foram cumpridas em municípios como Londrina, Maringá, Cianorte, Campo Mourão não consta na relação divulgada, Curitiba, Foz do Iguaçu, Toledo e cidades de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os documentos e materiais apreendidos serão analisados para dar continuidade às investigações e auxiliar na recuperação dos valores que teriam deixado de ser recolhidos aos cofres públicos.
Em Goioerê, ainda não há informações oficiais sobre a identidade dos investigados ou quais endereços foram alvo das medidas judiciais.
















