Publicidade
Publicidade

Notícias / Geral Pesquisador brasileiro identifica oito exoplanetas com potencial para abrigar vida

sábado, 19 setembro de 2026.

© Frame Nasa

Um pesquisador brasileiro identificou oito planetas fora do Sistema Solar, chamados de exoplanetas, que apresentam maiores possibilidades de possuir água em estado líquido e, consequentemente, condições favoráveis ao desenvolvimento de vida. O estudo foi realizado por Fábio Calabrio Evangelista da Silva, sob orientação do professor Marcelo Borges Fernandes, do Observatório Nacional.

Siga a Tribuna no WhatsApp

Para chegar aos resultados, Silva analisou dados de mais de 6 mil exoplanetas já descobertos, utilizando informações da Nasa, como tamanho, densidade e distância em relação às estrelas que orbitam. A pesquisa buscou planetas com características semelhantes às da Terra e localizados na chamada zona de habitabilidade, região onde a temperatura permite a existência de água líquida.

Segundo o pesquisador, essa área é considerada ideal por não ser nem quente demais, como em planetas muito próximos das estrelas, nem fria demais, como em mundos mais distantes. Após avaliar características como atmosfera, pressão e temperatura, foram selecionados os oito exoplanetas com maior semelhança ao nosso planeta.

O destaque do levantamento é o GJ 1002b, considerado o mais parecido com a Terra, com 98% de similaridade. Descoberto em 2022, ele está localizado a cerca de 16 anos-luz do nosso planeta e orbita uma estrela anã-vermelha, completando uma volta ao redor dela em apenas 10 dias.

A busca por vida fora da Terra

A descoberta de planetas semelhantes à Terra aumenta o interesse dos cientistas pela busca de vida fora do nosso planeta. Desde 1992, quando os primeiros exoplanetas foram identificados, mais de 6 mil mundos já foram encontrados na nossa galáxia.

Apesar disso, visitar esses planetas ainda é impossível com a tecnologia atual devido às enormes distâncias. Por isso, os pesquisadores analisam principalmente suas atmosferas utilizando telescópios avançados, como o James Webb, que conseguem identificar a composição química desses mundos por meio da luz emitida pelas estrelas.

Os cientistas procuram sinais chamados de bioassinaturas, que são substâncias ou combinações químicas que, na Terra, estão relacionadas à presença de organismos vivos. Entre elas estão gases como metano e oxigênio quando encontrados juntos em determinadas condições.

Cuidado com falsas evidências

A presença de possíveis bioassinaturas, porém, não significa uma confirmação de vida extraterrestre. Cientistas explicam que algumas substâncias também podem ser produzidas por processos naturais, como reações químicas, atividade geológica ou radiação.

Por isso, a comprovação da existência de vida exigiria diferentes evidências combinadas, como a repetição de determinados sinais químicos, características específicas das moléculas e análises de isótopos, que são variações de elementos químicos.

Mesmo moléculas consideradas importantes para a vida, como aminoácidos e componentes do material genético, não são provas definitivas, pois podem surgir por processos não biológicos. A confirmação dependeria da identificação de padrões mais complexos associados aos organismos vivos.

Próximas missões

A busca por vida fora da Terra continuará com novas missões espaciais. Entre elas está a Europa Clipper, que chegará em 2030 à lua Europa, de Júpiter, onde há indícios de um oceano subterrâneo que pode apresentar condições favoráveis à vida.

Outra missão prevista é a Dragonfly, que será enviada a Titã, lua de Saturno, com chegada estimada para 2034. O objetivo será investigar sinais químicos relacionados à possibilidade de vida.

Além disso, cientistas continuam estudando outros locais do Sistema Solar, como Encélado, outra lua de Saturno com possível oceano interno, e Marte, onde há evidências de gelo e possíveis reservas subterrâneas de água.